{"id":480,"date":"2019-10-20T21:00:38","date_gmt":"2019-10-21T01:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/?p=480"},"modified":"2019-10-30T16:51:14","modified_gmt":"2019-10-30T20:51:14","slug":"maria-ines-marcondes-freire-como-autor-internacional-pedagogia-do-oprimido-em-lingua-inglesa-publicada-50-anos-atras-versao-em-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/maria-ines-marcondes-freire-como-autor-internacional-pedagogia-do-oprimido-em-lingua-inglesa-publicada-50-anos-atras-versao-em-portugues\/","title":{"rendered":"Maria In\u00eas Marcondes | Freire Como Autor Internacional: Pedagogia Do Oprimido Em L\u00edngua Inglesa Publicada 50 Anos Atr\u00e1s (Vers\u00e3o em Portugu\u00eas)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Maria In\u00eas Marcondes,\u00a0Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Translated by Andreu Wilson\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O livro Pedagogia do Oprimido (PO) \u00e9 considerado um dos dez livros mais importantes de curr\u00edculo do s\u00e9culo XX por indica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Americana pelo Desenvolvimento dos Estudos Curriculares (American Association for the Advancement of Curriculum Studies &#8211; AAACS). Para compreender Pedagogia do Oprimido, que teve sua primeira publica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas em 1970, n\u00e3o se pode deixar de ler Pedagogia da Esperan\u00e7a (1992), livro em que o pr\u00f3prio Freire faz uma narrativa reflexiva sobre sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es de nossa pesquisa s\u00e3o: Por que Paulo Freire \u00e9 considerado um autor internacional? Como ele influenciou o contexto internacional dos estudos curriculares, inicialmente com a publica\u00e7\u00e3o da obra PO em l\u00edngua inglesa, h\u00e1 cinq\u00fcenta anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que a experi\u00eancia internacional decorrente do ex\u00edlio imposto a Freire traz uma nova dimens\u00e3o para sua obra.<\/p>\n<p>Sua perman\u00eancia no Chile, tendo contato com sindicalistas e trabalhadores, redefiniu sua tese, Educa\u00e7\u00e3o e Atualidade Brasileira, publicada como livro intitulado Educa\u00e7\u00e3o como Pr\u00e1tica da Liberdade e ampliou sua reflex\u00e3o para a finaliza\u00e7\u00e3o do texto da Pedagogia do Oprimido, que termina de rever no Chile. Sua perman\u00eancia nos Estados Unidos em contato permanente com trabalhadores e intelectuais, assim como sua experi\u00eancia no Conselho Mundial de Igrejas, possibilitaram a Freire ter contato com outros pa\u00edses e realidades diferentes.<\/p>\n<p>Nessas constantes viagens, Freire \u00e9 influenciado pelo contexto internacional assim como influencia muitos intelectuais entre eles, v\u00e1rios educadores cr\u00edticos do campo dos estudos curriculares.<\/p>\n<p>Inicialmente, Freire n\u00e3o tinha ideia de sair do Brasil e projetar-se no cen\u00e1rio internacional. Sua sa\u00edda foi consequ\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, decorrente do Golpe de Estado de 1964, que levou \u00e0 sua pris\u00e3o e a ser interrogado diversas vezes pelo Regime Militar.<\/p>\n<p>Entretanto, Freire foi capaz de transformar a experi\u00eancia do ex\u00edlio em uma oportunidade de crescimento pessoal e intelectual. Nessa perspectiva, vivendo fora do pa\u00eds, Freire n\u00e3o se conforma em viver do passado, apenas em fun\u00e7\u00e3o de suas mem\u00f3rias, mas usa sua identidade de brasileiro, nordestino, educador, para \u201cler\u201d os novos contextos em que vive e a redimensionar seu projeto de vida.<\/p>\n<p>Ao aproveitar as oportunidades que apareciam em seu percurso, torna-se autor, educador e pessoa internacionalmente conhecida, com grande proje\u00e7\u00e3o na \u00e1rea dos estudos curriculares e da pedagogia cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia internacional de Freire inicia-se com seu ex\u00edlio pol\u00edtico, depois do golpe militar de 1964, quando muitos intelectuais e professores de Esquerda foram presos e exilados por causa da censura e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Para um homem que nunca havia deixado o Brasil, a experi\u00eancia de viver no ex\u00edlio foi particularmente dif\u00edcil, principalmente no in\u00edcio, quando viveu na Bol\u00edvia e posteriormente no Chile.<\/p>\n<p>Com base nos relatos feitos em Pedagogia da Esperan\u00e7a, Freire passa a se considerar andarilho do mundo quando come\u00e7a a visitar outros pa\u00edses. Essa experi\u00eancia de viver em outros pa\u00edses, em outros contextos culturais e econ\u00f4micos, torna-se objeto de reflex\u00e3o cr\u00edtica do pr\u00f3prio Freire, ampliando seus referenciais de an\u00e1lise das diferentes situa\u00e7\u00f5es de vida das classes trabalhadoras. O termo \u201crealidade de empr\u00e9stimo\u201d \u00e9 adotado a partir de uma conversa com \u00c1lvaro Vieira Pinto (outro exilado pol\u00edtico).<\/p>\n<p>Com base nos coment\u00e1rios de \u00c1lvaro Vieira Pinto e escrevendo sobre sua experi\u00eancia, ele contrasta o que denominou de \u201ccontexto de origem\u201d, sua experi\u00eancia brasileira, com o \u201ccontexto de empr\u00e9stimo\u201d, sua experi\u00eancia de viver fora do pa\u00eds. Freire toma o novo contexto como objeto de reflex\u00e3o, mostrando como ele ampliou sua perspectiva levando a uma revis\u00e3o de seus conceitos te\u00f3ricos. A partir da experi\u00eancia internacional come\u00e7a a adquirir uma nova vis\u00e3o sobre o Brasil e, ao mesmo tempo, a estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre as experi\u00eancias dos trabalhadores nesses diferentes contextos.<\/p>\n<p>Sua perman\u00eancia no Chile, tendo contato com sindicalistas e trabalhadores, redefiniu sua tese, Educa\u00e7\u00e3o e Atualidade Brasileira, publicada como livro intitulado Educa\u00e7\u00e3o como Pr\u00e1tica da Liberdade e ampliou sua reflex\u00e3o para a finaliza\u00e7\u00e3o do texto da Pedagogia do Oprimido, que termina de rever no Chile. Sua perman\u00eancia nos Estados Unidos em contato permanente com trabalhadores e intelectuais, assim como sua experi\u00eancia no Conselho Mundial de Igrejas, possibilitaram a Freire ter contato com outros pa\u00edses e realidades diferentes. Nessas constantes viagens, Freire \u00e9 influenciado pelo contexto internacional assim como influencia muitos intelectuais entre eles, v\u00e1rios educadores cr\u00edticos do campo dos estudos curriculares.<\/p>\n<p>Apesar de inicialmente se sentir em um \u201ccontexto de empr\u00e9stimo\u201d, Freire come\u00e7a a se dar conta de que nesses pa\u00edses havia muitos tra\u00e7os culturais e problemas sociais em comum com o Brasil e se mostrou aberto a ampliar sua perspectiva de vida e trabalho a novas experi\u00eancias, manteve-se sempre aberto a ouvir e a reconsiderar seus pontos de vista. Dessa forma, Paulo Freire p\u00f4de relacionar o conhecimento obtidos nos \u201ccontextos de empr\u00e9stimo\u201d para construir pontes entre seu trabalho e o trabalho social e pol\u00edtico desenvolvido internacionalmente, traduzindo sua experi\u00eancia baseada na realidade do nordeste brasileiro nos mais diversos contextos, d\u00edspares mas tendo v\u00e1rios pontos em comum.<\/p>\n<p>O ex\u00edlio abriu assim novas oportunidades para ele. A experi\u00eancia de Paulo Freire no Chile, na alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos, de 1964 a 1969, representou um per\u00edodo muito frut\u00edfero em sua vida. Essa experi\u00eancia foi t\u00e3o importante como foi o per\u00edodo anterior no Brasil, pois foi durante o ex\u00edlio no Chile que ele se tornou uma figura importante na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No Chile, Freire trabalhou no Instituto de Capacitaci\u00f3n e Investigaci\u00f3n em Reforma Agr\u00e1ria (ICIRA) no seu terceiro ano de perman\u00eancia no pa\u00eds. Nessa \u00e9poca, decidiu escrever e discutir os textos sobre os temas que seriam abordados nos encontros de capacita\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de escrever, tinha o h\u00e1bito de discuti-los com amigos com quem trabalhava no ICIRA.<\/p>\n<p>Essa troca de ideias foi essencial para suas reflex\u00f5es, compartilhando experi\u00eancias e aprofundando suas an\u00e1lises com interlocutores engajados no mesmo contexto. Isso certamente marcou sua posi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 import\u00e2ncia do di\u00e1logo na experi\u00eancia pedag\u00f3gica que encontramos em suas obras posteriores.<\/p>\n<p>Freire levou um ano ou mais falando sobre o livro PO com amigos e discutindo em cursos que dava. Nesse per\u00edodo que podemos denominar de \u201coralidade do livro\u201d, recebeu o primeiro convite para visitar os Estados Unidos, em 1967, tendo sido convidado para visitar Nova York pelo Padre Joseph Fitzpatrick e pelo Monsenhor Robert Fox. Essa visita foi proposta pelo importante pedagogo Ivan Illichiii, que conhecia os dois religiosos e achou que seria importante para eles o contato com Freire. Com efeito, para Freire essa visita foi extremamente importante, pois pode observar o trabalho que esses religiosos realizavam com os imigrantes porto-riquenhos e com os negros, que eram grupos discriminados.<\/p>\n<p>Ele viu que havia muita semelhan\u00e7a entre esse trabalho e o que ele desenvolvera no Brasil. De volta ao Chile, Freire continuou o que chamou fase de gesta\u00e7\u00e3o da PO, come\u00e7ando a escrever ideias em fichas para desenvolver reflex\u00f5es mais elaboradas. Depois de certo tempo, as \u201cfichas de ideias\u201d terminavam por tornarem-se fichas geradoras de novas ideias e de outros temas. A partir desse trabalho artesanal de reflex\u00e3o, de revis\u00e3o e de aprofundamento de suas pr\u00f3prias ideias, em julho de 1967, Freire escreve os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos da PO.<\/p>\n<p>Tendo terminado de datilografar o texto, entrega ao seu grande amigo que estava tamb\u00e9m no Chile, Ernani Maria Fiori e lhe pede para que escreva o pref\u00e1cio. No mesmo dia em que Fiori entregou de volta o texto com o pref\u00e1cio, Freire resolve deixar o texto \u201cdescansar\u201d por mais dois meses, quando resolve ent\u00e3o escrever um cap\u00edtulo a mais, o quarto cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que o livro n\u00e3o poderia ser editado no Brasil, Freire envia o texto datilografado para Fernando Gasparian, diretor da Editora Paz e Terra. Nessa \u00e9poca, em 1969, quando a situa\u00e7\u00e3o no Chile estava se tornando inc\u00f4moda, Freire recebeu quase ao mesmo tempo ofertas para ensinar na Universidade de Harvard (Harvard University) e para trabalhar no Conselho Mundial de Igrejas (World Council of Churches, WCC), em Genebra. O te\u00f3rico do desenvolvimento Denis Goulet foi respons\u00e1vel pelo convite para Harvard. Freire, anos mais tarde, descreveu sua decis\u00e3o de aceitar ir aos Estados Unidos (por um tempo menor do que lhe foi oferecido) e depois aceitar o trabalho no Conselho.<\/p>\n<p>Freire torna-se um autor internacional a partir, principalmente, da publica\u00e7\u00e3o de tr\u00eas documentos: (I) suas palestras em Harvard publicadas em dois artigos, na Harvard Educational Review, nos n\u00fameros de maio e agosto de 1970; (II) esses dois artigos d\u00e3o origem a uma monografia, publicada pelo Center for the Study of Development and Social Change (Centro para o Estudo do Desenvolvimento e Mudan\u00e7a Social) em livro intitulado Cultural Action for Freedom, em Cambridge, Massachusetts, em setembro de 1970; (III) a obra Pedagogia do Oprimido foi inicialmente publicada em ingl\u00eas, em 1970, pela editora Herder and Herder, em Nova York (FREIRE, 1992) e somente mais tarde em portugu\u00eas, no Brasil, em fun\u00e7\u00e3o da censura.<\/p>\n<p>A Pedagogia do Oprimido, sua principal obra, tem suas ra\u00edzes nas experi\u00eancias de vida de Paulo Freire. Os temas abordados foram educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e libertadora, m\u00e9todo dial\u00f3gico; e o modo como desenvolveu a an\u00e1lise desses temas e suas propostas reflete diretamente sua experi\u00eancia do ex\u00edlio, inicialmente, e posteriormente como professor e pesquisador nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O trabalho em Genebra trouxe novas experi\u00eancias e novos desafios, uma vez que n\u00e3o se tratava mais de lecionar apenas, mas de participar de projetos de pol\u00edtica educacional em pa\u00edses em desenvolvimento, levando-o a conhecer novas propostas e novas pr\u00e1ticas. De acordo com Andreola e Ribeiro (2005, p. 107), \u201co trabalho no Conselho Mundial de Igrejas abriu para Freire um espa\u00e7o sem limites para projetos de a\u00e7\u00e3o educativa em todos os continentes, mas sobretudo por sua op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em v\u00e1rios pa\u00edses africanos que estavam se libertando do colonialismo\u201d. Sua atua\u00e7\u00e3o no Conselho permitir que sua proposta libertadora e sua obra adquirissem dimens\u00f5es universais tornando Freire uma figura amplamente reconhecida internacionalmente.<\/p>\n<p>A partir dessas experi\u00eancias profissionais em contextos internacionais, Paulo Freire amplia sua reflex\u00e3o te\u00f3rica sobre os problemas da educa\u00e7\u00e3o e da perspectiva da opress\u00e3o nesses diferentes e \u00e9 convidado a publicar em l\u00edngua inglesa. A partir da\u00ed sua influ\u00eancia se consolida e ele p\u00f4de expandir dos seus contextos de atua\u00e7\u00e3o profissional, sendo lido por autores que tinham uma perspectiva cr\u00edtica, principalmente na \u00e1rea do curr\u00edculo,\u00a0 principalmente nos Estados Unidos. A publica\u00e7\u00e3o em Ingl\u00eas de suas obras, vinculada \u00e0 relev\u00e2ncia e originalidade da forma e conte\u00fado de suas reflex\u00f5es, contribu\u00edram para que ele fosse se tornando um autor internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria In\u00eas Marcondes,\u00a0Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro Translated by Andreu Wilson\u00a0 O livro Pedagogia do Oprimido (PO) \u00e9 considerado um dos dez livros mais importantes de curr\u00edculo do s\u00e9culo XX por indica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Americana pelo Desenvolvimento&hellip; <a href=\"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/maria-ines-marcondes-freire-como-autor-internacional-pedagogia-do-oprimido-em-lingua-inglesa-publicada-50-anos-atras-versao-em-portugues\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2166,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[52291],"tags":[],"class_list":["post-480","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-posts-4-13"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2166"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/480\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}