{"id":475,"date":"2019-10-22T08:20:11","date_gmt":"2019-10-22T12:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/?p=475"},"modified":"2019-10-30T16:51:42","modified_gmt":"2019-10-30T20:51:42","slug":"antonio-pele-para-alem-da-teoria-e-da-praxis-na-pedagogia-do-oprimido-de-paulo-freire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/antonio-pele-para-alem-da-teoria-e-da-praxis-na-pedagogia-do-oprimido-de-paulo-freire\/","title":{"rendered":"Antonio Pele | Para Al\u00e9m Da Teoria E Da Pr\u00e1xis Na Pedagogia Do Oprimido De Paulo Freire (Vers\u00e3o em Portugu\u00eas)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Antonio Pele<\/strong><\/p>\n<p><strong>Translated by D\u00e9bora Sol Freire (PUC-Rio)<\/strong><\/p>\n<p>Repensar a <em>Pedagogia do Oprimido<\/em> (PO) de Paulo Freire dentro de uma perspectiva te\u00f3rica cr\u00edtica \u00e9 tanto desafiador quanto produtivo. \u00c9 desafiador na medida em que questiona uma interpreta\u00e7\u00e3o potencialmente est\u00e1tica e meramente te\u00f3rica\/hist\u00f3rica das ideias de Freire no livro. \u00c9 produtivo na medida em que estimula o desenvolvimento de uma <em>pr\u00e1xis<\/em> cr\u00edtica e pol\u00edtica, seguindo, assim, o objetivo do semin\u00e1rio <em>Cr\u00edtica 13\/13 <\/em>deste ano, que \u00e9 o de investigar como usar este texto (e outros) para construir hoje uma \u201c<em>zone \u00e0 d\u00e9fendre<\/em>\u201d. \u00c9 ainda mais produtivo, uma vez que o livro coloca a educa\u00e7\u00e3o no centro da luta cr\u00edtica e pol\u00edtica. Esta era uma quest\u00e3o pol\u00edtica urgente no Brasil nos anos 60, assim como \u00e9 hoje com o atual governo protofascista. Consequentemente, meu intuito n\u00e3o \u00e9 avan\u00e7ar com uma nova exegese do texto de Freire, mas valer-se de alguns dos seus <em>insights<\/em> e interpret\u00e1-los como \u00fateis para as lutas cr\u00edticas\/pol\u00edticas <em>agora<\/em>. Na verdade, era o que Paulo Freire estava fazendo na <em>PO<\/em>. Ele n\u00e3o estava realmente interessado em apoiar-se em uma base epistemol\u00f3gica coerente, mas usar suas ideias e, por exemplo, os argumentos de outros pensadores para suas pr\u00f3prias lutas pol\u00edticas em seu tempo. Na <em>PO<\/em>, Freire citou e baseou-se em pensadores crist\u00e3os humanistas\/personalistas, tais como Emmanuel Mounier, Alceu Amoroso Lima, Jacques Maritain, Teilard de Chardin e autores\/militantes cr\u00edticos, tais como Camillo Torres, Louis Althusser, Eric Fromm e Karl Marx.<\/p>\n<p>Os debates sobre a <em>PO<\/em> resultam de um trabalho educacional que Paulo Freire realizou no Brasil, especialmente no <em>Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria<\/em> (Sesi), na regi\u00e3o de Pernambuco (1947-1957), em particular com a cria\u00e7\u00e3o do <em>C\u00edrculos de Pais e Professores<\/em>. A abordagem dial\u00f3gica e horizontal no processo de educa\u00e7\u00e3o foi colocada em pr\u00e1tica para fomentar n\u00e3o apenas a alfabetiza\u00e7\u00e3o ao longo do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m e primordialmente para tornar o povo brasileiro em um verdadeiro sujeito pol\u00edtico. Como a maioria dos brasileiros e pensadores pol\u00edticos do final dos anos 50 e 60, Paulo Freire compartilhava as vis\u00f5es dos intelectuais do <em>Instituto Superior de Estudos Brasileiros <\/em>(ISEB), tais como \u00c1lvaro Vieira Pinto e Guerreiro Ramos. De acordo com eles, o Brasil estava em um processo de transi\u00e7\u00e3o de um mundo antigo para um moderno. Consequentemente, ao longo deste processo e de acordo com Freire, a quest\u00e3o urgente n\u00e3o estava apenas relacionada a aspectos econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m em tornar o povo brasileiro em atores ativos e conscientes do desenvolvimento do Brasil (Haddad, p. 53-54). Para tanto, a educa\u00e7\u00e3o desempenhou um papel crucial na medida em que tanto os atores quanto as lutas tiveram que ser redefinidos para evitar a reprodu\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o oprimido\/opressor e tornar a educa\u00e7\u00e3o uma \u201cpr\u00e1tica da liberdade\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>Dois deslocamentos cr\u00edticos<\/u><\/strong><\/p>\n<p><strong><u>\u00a0<\/u><\/strong><\/p>\n<p>O primeiro aspecto que eu gostaria de iluminar \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica na <em>PO<\/em>. De um lado, parece que a pr\u00e1xis cr\u00edtica \u00e9 mais relevante do que a teoria. A palavra \u201cpr\u00e1xis\u201d aparece muitas vezes na <em>PO<\/em> e o texto \u00e9 amplamente dedicado a trazer e preparar uma revolu\u00e7\u00e3o tanto em termos pol\u00edticos quanto culturais. Como exemplo, o oprimido ganha a sua liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u201cpor acaso, mas pela pr\u00e1xis de sua busca\u201d e \u201cpelo reconhecimento da necessidade de lutar por ela\u201d (p. 45). Ademais, \u201cn\u00e3o h\u00e1 palavra verdadeira que n\u00e3o seja pr\u00e1xis. Da\u00ed que dizer a palavra verdadeira seja transformar o mundo\u201d (p. 87). \u201cApenas no encontro das pessoas com os l\u00edderes revolucion\u00e1rios \u2013 na sua comunh\u00e3o, na sua pr\u00e1xis \u2013 pode esta teoria ser constru\u00edda\u201d (p. 183). Contudo, ainda que a pr\u00e1xis sustente todo o discurso de Paulo Freire, a teoria tamb\u00e9m atua como uma parte importante, ou, pelo menos, o conhecimento, a observa\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o pr\u00e1xis, o n\u00e3o di\u00e1logo, e mesmo o sil\u00eancio s\u00e3o fundamentais para informar um comportamento livre e n\u00e3o opressivo nos processos pol\u00edticos\/educacionais. Por exemplo, quando Paulo Freire descreve que os educadores n\u00e3o podem impor o seu conhecimento. Eles devem primeiro observar o novo universo no qual est\u00e3o inseridos, como \u201cobservadores compreensivos\u201d, para entender as necessidades e valores de uma determinada popula\u00e7\u00e3o (p. 109). Em um primeiro est\u00e1gio, eles precisam abster-se da a\u00e7\u00e3o educativa. Al\u00e9m disso, a liberta\u00e7\u00e3o do oprimido busca primeiro desconstruir o que as pessoas pensam sobre elas mesmas e sobre os outros. As mudan\u00e7as na forma de pensar est\u00e3o no centro da pedagogia Freireana. No cap\u00edtulo 4 da <em>PO<\/em>, Paulo Freire desenha um gr\u00e1fico em uma nota de rodap\u00e9 explicando e diferenciando a teoria da a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da teoria da a\u00e7\u00e3o opressora (p. 135-36). Ainda que a pr\u00e1xis cr\u00edtica esteja guiando o trabalho de Paulo Freire, ele tamb\u00e9m conta profundamente com a teoria para informar a primeira. Contudo, a abordagem que interessa aqui n\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a teoria cr\u00edtica e a pr\u00e1xis cr\u00edtica, mas o deslocamento que <em>ambas<\/em> produzem. O que est\u00e1 em jogo na <em>PO<\/em> n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o da relev\u00e2ncia da pr\u00e1xis <em>vis \u00e0 vis<\/em> teoria cr\u00edtica (e vice-versa), mas a quest\u00e3o <strong>da constitui\u00e7\u00e3o dos sujeitos cr\u00edticos<\/strong>. Teoria e pr\u00e1xis s\u00e3o usadas para alcan\u00e7ar esta meta e n\u00e3o para definir aspectos da rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre elas. O antigo indiv\u00edduo oprimido &#8211; agora informado pela metodologia educacional Freireana &#8211; se torna um sujeito pol\u00edtico e cr\u00edtico que n\u00e3o est\u00e1 mais passivo sobre a rela\u00e7\u00e3o de poder. A luta e a viol\u00eancia s\u00e3o meios apropriados para alcan\u00e7ar a humaniza\u00e7\u00e3o e a liberta\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. A <em>PO<\/em> objetiva primeiro <em>a forma\u00e7\u00e3o <\/em>cont\u00ednua do comportamento cr\u00edtico e pol\u00edtico. Como disse uma vez um antigo estudante de Freire, Antonio Ferreira, no encerramento de um curso em Angicos (Brasil\/Rio Grande do Norte): \u201cem outros tempos, n\u00f3s \u00e9ramos massas, hoje j\u00e1 n\u00e3o somos massas, estamos sendo povo\u201d (Haddad, p. 71). Sujeitos cr\u00edticos est\u00e3o sendo <em>constitu\u00eddos <\/em>e homens s\u00e3o <em>seres<\/em> que est\u00e3o fazendo parte da sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O segundo aspecto que eu gostaria de iluminar est\u00e1 relacionado ao objeto de estudo de Paulo Freire, que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Tradicionalmente, a teoria cr\u00edtica e mesmo parte da filosofia (pol\u00edtica) t\u00eam sido confrontada com a seguinte alternativa cl\u00e1ssica: ou diagnostica e muda as rela\u00e7\u00f5es de poder para produzir mudan\u00e7as sociais e individuais ou traz e molda novas condutas \u00e9ticas\/individuais para redefinir essas rela\u00e7\u00f5es de poder e alcan\u00e7ar uma sociedade justa. Na <em>PO<\/em>, esses dois aspectos est\u00e3o fundidos dentro de um mesmo campo, a educa\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as cr\u00edticas e pol\u00edticas afetam as subjetividades envolvidas, os oprimidos, mas tamb\u00e9m os opressores e os \u201cl\u00edderes revolucion\u00e1rios\u201d que tentam impor suas vis\u00f5es. Simultaneamente, tais mudan\u00e7as tamb\u00e9m devem afetar, no longo prazo, as rela\u00e7\u00f5es sociais globais e trazer novas formas de exist\u00eancia coletiva e individual. Freire identificou na <strong>educa\u00e7\u00e3o um campo estrat\u00e9gico <\/strong>onde o antigo opressor\/oprimido e as antigas subjetividades\/realidades podem colapsar e dar luz \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de exist\u00eancias humanizadas e cr\u00edticas. N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que o governo brasileiro protofascista contempor\u00e2neo tenha n\u00e3o apenas ridicularizado a heran\u00e7a cultural de Paulo Freire, mas tamb\u00e9m atacado (com duras medidas econ\u00f4micas) fundos p\u00fablicos da educa\u00e7\u00e3o superior. Nesses tempos sombrios, no Brasil e em todo lugar, educa\u00e7\u00e3o em geral e universidades em particular se tornaram n\u00e3o apenas o alvo da gan\u00e2ncia neoliberal, mas tamb\u00e9m locais que intensificam (e mesmo moldam) as lutas pol\u00edticas que est\u00e3o acontecendo fora dos seus muros. Como educadores e estudantes, de acordo com as palavras de Paulo Freire, n\u00f3s devemos manter \u201cnossa f\u00e9 nos homens e na cria\u00e7\u00e3o de um mundo em que seja menos dif\u00edcil amar\u201d (p. 40).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>Metodologia: Otimismo Prudente<\/u><\/strong><\/p>\n<p><strong><u>\u00a0<\/u><\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo aspecto que eu gostaria de comentar est\u00e1 relacionado com a metodologia que cobre o pensamento de Paulo Freire na <em>PO<\/em>. De um lado, e contra os impulsos necrof\u00edlicos dos opressores, amor, comunh\u00e3o, felicidade, humildade, esperan\u00e7a, s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es que est\u00e3o voltadas para as categorias pol\u00edticas. Elas s\u00e3o estrategicamente mobilizadas para alcan\u00e7ar o objetivo subjacente da <em>PO<\/em>. Por exemplo, a luta do oprimido \u201cir\u00e1, na verdade, constituir um ato de amor\u201d (p. 45). \u201cN\u00e3o existe, tampouco, di\u00e1logo sem esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a est\u00e1 na pr\u00f3pria ess\u00eancia da imperfei\u00e7\u00e3o dos homens\u201d (p.91). A men\u00e7\u00e3o de Freire \u201cao trabalho emancipado que d\u00e1 a alegria de viver\u201d (p. 91). A \u201crevolu\u00e7\u00e3o aut\u00eantica\u201d s\u00f3 pode ser realizada atrav\u00e9s da comunh\u00e3o do povo com seus l\u00edderes (p. 130). Tais emo\u00e7\u00f5es claramente demonstram a abordagem otimista de Paulo Freire e a influ\u00eancia da teoria da Liberta\u00e7\u00e3o no seu pensamento. Tais emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o mobilizadas contra o desespero das massas fomentado pelas tend\u00eancias sadistas e necr\u00f3filas dos opressores. Gra\u00e7as a esse otimismo, progresso pode ser alcan\u00e7ado; humaniza\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis. Contudo, as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o representam uma perspectiva ing\u00eanua, uma vez que est\u00e3o arraigadas a uma abordagem realista e prudente\/hist\u00f3rica. De fato, e particularmente no Cap\u00edtulo 3 da <em>PO<\/em>, Freire define a metodologia dial\u00f3gica de sua educa\u00e7\u00e3o. Ele primeiro insiste em identificar os \u201cuniversos tem\u00e1ticos\u201d e os \u201ctemas geradores\u201d. Ele, ent\u00e3o, mostra como \u201csitua\u00e7\u00f5es-limite\u201d podem primeiro gerar medo e desesperan\u00e7a entre os oprimidos. Mas, ent\u00e3o, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, e um olhar preciso acerca da realidade particular e hist\u00f3rica, situa\u00e7\u00f5es-limite podem ser superadas (atrav\u00e9s dos atos-limite), esperan\u00e7a e confian\u00e7a podem ser estabelecidas (p. 99-100). Em cada momento, e atrav\u00e9s da transcend\u00eancia das situa\u00e7\u00f5es-limite, encontra-se o <em>in\u00e9dito vi\u00e1vel<\/em> (p. 102). H\u00e1 aqui uma metodologia progressiva que est\u00e1 constantemente ciente da possibilidade verdadeira de libertar o oprimido por\/atrav\u00e9s (d)eles mesmos, bem como est\u00e1 ciente dos diferentes momentos e est\u00e1gios onde essa liberta\u00e7\u00e3o poderia reproduzir o papel do opressor. Contudo, o risco de reprodu\u00e7\u00e3o do papel do opressor n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo para a liberta\u00e7\u00e3o do oprimido. \u00c9 um risco real, mas, de forma alguma, condiciona a possibilidade de constituir sujeitos cr\u00edticos\/pol\u00edticos. De acordo com a proposta de Bernard Harcourt, tamb\u00e9m h\u00e1 no esfor\u00e7o cr\u00edtico de Paulo Freire, uma vigil\u00e2ncia constante em desvendar ilus\u00f5es espec\u00edficas que sustentam nossas rela\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas de poder, e um reexame das suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es cr\u00edticas. Paulo Freire tamb\u00e9m traz um \u201cotimismo prudente\u201d, uma vez que as estrat\u00e9gias pol\u00edticas podem ser mobilizadas <em>agora<\/em>, atrav\u00e9s de um entendimento preciso do momento hist\u00f3rico. Tudo isso depende da nossa coragem e nosso amor para levar adiante esta luta.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Paulo Freire, <em>Pedagogy of the Oppressed<\/em>, trans. Myra Bergman Ramos, New-York: Bloomsbury, 2012.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Haddad, <em>O Educador. Um Perfil de Paulo Freire<\/em>, S\u00e3o Paulo: Todavia, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Antonio Pele Translated by D\u00e9bora Sol Freire (PUC-Rio) Repensar a Pedagogia do Oprimido (PO) de Paulo Freire dentro de uma perspectiva te\u00f3rica cr\u00edtica \u00e9 tanto desafiador quanto produtivo. \u00c9 desafiador na medida em que questiona uma interpreta\u00e7\u00e3o potencialmente est\u00e1tica&hellip; <a href=\"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/antonio-pele-para-alem-da-teoria-e-da-praxis-na-pedagogia-do-oprimido-de-paulo-freire\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2166,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[52291],"tags":[],"class_list":["post-475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-posts-4-13"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2166"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}