{"id":379,"date":"2019-10-19T09:11:32","date_gmt":"2019-10-19T13:11:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/?p=379"},"modified":"2019-10-29T11:36:19","modified_gmt":"2019-10-29T15:36:19","slug":"bernard-e-harcourt-versao-em-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.law.columbia.edu\/critique1313\/bernard-e-harcourt-versao-em-portugues\/","title":{"rendered":"Bernard E. Harcourt | Introduction to Critique 4\/13 (Vers\u00e3o em portugu\u00eas)"},"content":{"rendered":"<p><strong><span lang=\"PT-BR\"><span lang=\"FR\">Por <\/span>Bernard E. Harcourt, trad.\u00a0<\/span>Maira Souza Moreira<\/strong><\/p>\n<p>Em um momento em que as ideias e a pedagogia de Paulo Freire est\u00e3o sob ataque, especialmente no Brasil, seu pa\u00eds natal, \u00e9 particularmente importante retornar aos seus escritos, n\u00e3o apenas para descobrir novos movimentos cr\u00edticos a serem realizados em nossas pr\u00f3prias lutas pol\u00edticas contempor\u00e2neas \u2013 com efeito, envolver-se no tipo de leitura cr\u00edtica proposta na Cr\u00edtica 13\/13 &#8211; mas tamb\u00e9m ressaltar o que torna o trabalho de Freire t\u00e3o amea\u00e7ador hoje.\u00a0\u00c9, talvez, um sinal claro de uma teoria cr\u00edtica bem sucedida que \u00e9 difamada e responsabilizada por desestabilizar a ordem social.\u00a0O pr\u00f3prio Freire entendeu bem isso e descreveu as prov\u00e1veis \u200b\u200b&#8221;rea\u00e7\u00f5es negativas em v\u00e1rios leitores&#8221; que seu trabalho e projeto pedag\u00f3gico provocariam. [i] Freire antecipou que muitos \u201cn\u00e3o aceitar\u00e3o (ou n\u00e3o desejar\u00e3o) minha den\u00fancia de um estado de opress\u00e3o que gratifica os opressores\u201d. [ii] Por esse motivo, ele prefaciou seu agora famoso livro nos seguintes termos: \u201ceste trabalho reconhecidamente experimental \u00e9 para radicais\u201d. [iii]<\/p>\n<p>De fato, Freire revolucionou a maneira como abordamos nossa tarefa como educadores &#8211; especialmente para aqueles de n\u00f3s que a encaram como te\u00f3ricos cr\u00edticos.\u00a0Obviamente, ele n\u00e3o foi o primeiro a desafiar os modelos tradicionais de educa\u00e7\u00e3o que viam o aluno como um recipiente vazio a ser preenchido com o conhecimento do mestre.\u00a0S\u00f3crates, muito antes dele, Rousseau durante o Iluminismo, John Dewey e Francis Parker no in\u00edcio do s\u00e9culo XX &#8211; muitos desafiaram os modelos tradicionais de educa\u00e7\u00e3o e destacaram o valor da pr\u00e1tica, do fazer.\u00a0Mas ningu\u00e9m enquadrou o desafio t\u00e3o diretamente na linguagem da pr\u00e1xis cr\u00edtica.\u00a0Ningu\u00e9m colocou t\u00e3o claramente a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no quadro da teoria cr\u00edtica e de um projeto emancipat\u00f3rio guiado pela ambi\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais igualit\u00e1ria e justa.\u00a0O trabalho de Freire \u00e9 \u00fanico a esse respeito e, como resultado, amea\u00e7a exclusivamente o status quo.<\/p>\n<p>O objetivo da emancipa\u00e7\u00e3o humana anima o projeto de Freire: empoderar pessoas desfavorecidas a libertarem a si mesmas e, ao mesmo tempo, libertar aqueles que se aproveitam delas.\u00a0O m\u00e9todo que ele desenvolve \u00e9 simples: dialogar com aqueles que est\u00e3o em desvantagem, a fim de despertar suas pr\u00f3prias reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es \u2013 com efeito, tratar todos os outros como sujeitos plenamente iguais e conhecedores.\u00a0Freire coloca a unidade da teoria e da pr\u00e1xis no cerne de sua an\u00e1lise e ressalta a no\u00e7\u00e3o de &#8220;unidade&#8221;: \u00e9 somente quando a reflex\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 a\u00e7\u00e3o que as pessoas compreendem e superam completamente sua condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ponto central de Freire \u00e9 que aqueles que est\u00e3o em desvantagem conhecem bem os modos de explora\u00e7\u00e3o que os unem.\u00a0Atrav\u00e9s do di\u00e1logo, do interc\u00e2mbio e do engajamento pr\u00e1tico &#8211; atrav\u00e9s da reflex\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o &#8211; eles podem entender completamente como est\u00e3o sendo explorados, os m\u00e9todos de sua pr\u00f3pria domina\u00e7\u00e3o e podem descobrir os meios mais eficazes para resistir e superar sua explora\u00e7\u00e3o.\u00a0Ao se conscientizarem, passam por um processo de autotransforma\u00e7\u00e3o, de modo que, depois de compreenderem os modos de explora\u00e7\u00e3o que os unem, superam seu primeiro desejo instintivo de se tornarem os que exploram e finalmente aprendem a combater sua explora\u00e7\u00e3o.\u00a0No processo, eles se libertam, mas tamb\u00e9m quem os aprisiona.<\/p>\n<p>O livro de Freire e sua pedagogia tiveram uma influ\u00eancia extraordin\u00e1ria na educa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel internacional, especialmente nos Estados Unidos.\u00a0Tanto que, de fato, suas ideias se tornaram um tanto generalizadas e despojadas de suas pol\u00edticas mais radicais.\u00a0Hoje, cinquenta anos ap\u00f3s sua publica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, a Pedagogia do Oprimido de Freire est\u00e1 sob ataque, acusada de estar na raiz do que hoje \u00e9 chamado de &#8220;Marxismo Cultural&#8221; &#8211; um termo que, como mostra o historiador da Universidade de Yale Samuel\u00a0Moyns, tem uma longa hist\u00f3ria t\u00f3xica.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, podemos implantar o texto e as ideias de Freire hoje em nossas lutas pol\u00edticas contempor\u00e2neas?\u00a0Que trabalho podemos fazer retornando ao seu texto cr\u00edtico?\u00a0Essas s\u00e3o as perguntas que abordaremos na Cr\u00edtica 4\/13.<\/p>\n<p>Temos o prazer de nos reunir na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro para discutir o trabalho de Paulo Freire com os brilhantes estudiosos e educadores, Maria\u00a0In\u00eas\u00a0Marcondes\u00a0de Souza (professora e diretora do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o da PUC-Rio), Cecilia Boal (diretora do \u201cTeatro do Oprimido\u201d e Psicanalista), Alessandra\u00a0Vannucci\u00a0(professora do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; UFRJ e diretora de teatro) e Antonio Pele (professor da Faculdade de Direito da PUC-Rio).<\/p>\n<p>Bem-vindos \u00e0 Cr\u00edtica 4\/13!<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\">Notas<\/h1>\n<p>[i] Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido (Nova York: Continuum, 1968), 21.<\/p>\n<p>[ii] Ibidem.<\/p>\n<p>[iii] Ibidem.\u00a0Freire acrescentou aqui: \u201cEstou certo de que crist\u00e3os e marxistas, embora possam discordar de mim em parte ou no todo, continuar\u00e3o lendo at\u00e9 o fim. Mas o leitor que dogmaticamente assume posi\u00e7\u00f5es &#8220;irracionais&#8221; fechadas rejeitar\u00e1 o di\u00e1logo que espero que este livro abra. \u201d\u00a0(21)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bernard E. 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